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foto: Ricardo Schetty
Escrito por teatrodual às 20h56
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Quem vai me entender? Quem vai se importar comigo agora? Quem vai nos estender a mão?! Que estranha a benção de têr a inteligência e não entender, não entender mais nada! A insanidade vem me rodeando, muito próxima, tão límpida quanto água, a insanidade da minha vida, palavras....palavras...palavras que prego não cumpro, atitudes ...atitudes que descrimino e ando praticando, me submeti, me prostituí, vendi minha alma . Acionei o freio, tudo para evitar o erro. Com medo de errar eu erro tudo. Eu tenho medo... medo...eu tenho medo de dar certo...Eu tenho medo de dar certo e não tenho forças para me esforçar e por isso continuo subdesenvolvida. Eu tenho medo de dar certo na vida e por isso que eu não desenvolvo...e tenho ódio da disciplina...não sei ser disciplinada. Não sei ordenar muito bem as minha idéias quando preciso ser explícita , sou uma bagunça em expansão.
Gostaria tanto de continuar as dizer as coisas que vem a minha cabeça, mas meu vocabulário é chulo além de equivocado. É eu fui completamente analfabetizada.
Tenho uma coleção de livros ,dos poucos que li , não me lembro. Eu sou medíocre hoje, mas do que fui ontem , sem medo da mediocridade que serei amanhã.
Mas eu tenho esperanças! Eu sou tragicamente esperançada...eu sou brasileira subdesenvolvida, não eu sou uma brasileira em desenvolvimento.
Meu sonhos são comuns... Me satisfaço com um copo de cerveja e amigos bêbados dizendo que eu sou o máximo. Gosto de contrariar a política. Gosto sim de futebol, tirar sarro do time que perdeu do meu. Gosto, gosto, gosto de comprar fantasia a prestação pra pular no carnaval. Gosto, disseram para eu gostar e eu gosto.
Gosto de não saber me explicar, gosto da dúvida, gosto de parecer inteligente e lembrar daquilo que eu estudei. Porque eu estudei! Estudei muito , muito muito muito pouco. eu sou uma analfabeta letrada.
E é disso que eu sempre reclamo! Da falta de comunicação que eu exerço. Eu exerço a anticomunicação dos meus pensamentos. Eu sou prolixa sobre o nada. Eu sou o ícone da falta do que fazer.
1974SMPNF - texto de 2002
Escrito por teatrodual às 20h50
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foto: Ricardo Schetty
Performance 1974SMPNF 2004
Escrito por teatrodual às 20h37
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1974SMPNF - FAAP 2004
foto: Ricardo Schetty
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Hans! Hans...é você Hans? Quem são estes outros , hein? Amigos? Discípulos!? Vieram me ver! Mas eu não convidei ninguém. Que saco! Parem! Parem de vasculhar! Já não basta os satélites, os transmissores , câmeras em todos os lugares.O que vocês querem mais? Minha opinião?! Já foi tudo saqueado! Me deixem! Ai eu estou cansada, estou exausta .... Me sinto como se estivesse sob a lente de um microscópio... me deixem só com o meu avesso! Eu tenho este direito! Privacidade. Tenho direito a ficar sozinha? Lei do silêncio. Eu tenho direito ao silêncio? Tenho?! Eu quero ouvir novamente os meu direitos. Porque sempre tenho que dar meu tel, meu endereço, meu rg? Não estou escondendo nada! Como poderia esconder? Esconder alguma coisa, ha, ha. Câmeras em todos os lugares nos bancos, nas bancas, nas lojas, em todos os andares Como? Eu sou vigiada, observada, assistida, satélites sobre minha cabeça eu sou rastreada via satélite! O que vocês querem mais? Segredos. Não! Segredos guardados?.. Só se estiverem bem guardados, tão bem guardados, tão bem escondidos que nem eu mesma lembraria onde estão. Onde foi que escondi meus segredos? Me esqueci....A vida está ficando confusa que eu nem sei mais. Me esqueci ...Mas me lembro que fiz planos, sim , eu fim planos para o futuro! O futuro, Hans! O futuro! Evolução! Liberdade! Evolução! (sarcástica) Eu ouvi a voz da evolução dizendo que o nosso tempo estava se esgotando! Tempo esgotado! ...Aliás...há quanto tempo estamos aqui?... E você se ocupando em me vigiar.
(pausa) O melhor é ficar bem quietinha no meu canto, contando o meu dinheiro e pensando numa maneira de gastar o MEU DINHEIRO! ...Plástica! Silicone, carro importado, sapato de couro, calça de couro, cinto de couro, jaqueta de couro, bolsa de couro, carteira de couro...daí sim eu vou me transformar numa verdadeira vaca. Uma vaca. É isso! Uma vaca louca contraditória!
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Escrito por teatrodual às 20h33
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É através do expressionismo que a subjetividade , o inconsciente, o mundo dos sonhos soam com fervor explosivo. Todos estes elementos e mais o diálogo interno e a ruptura da seqüência de tempo e espaço são utilizados para compor um retrato e uma estória da alma humana.
O conflito do espetáculo é exatamente este, um ser autômato, sem vontade própria procurando reconquistar sua identidade
Escrito por teatrodual às 20h13
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foto: Ricardo Schetty
Escrito por teatrodual às 20h13
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Quando falamos em Arte o tempo toma outras proporções. Os anseios, os sonhos, as expectativas estão sempre pulsando dentro de nós esperando a oportunidade de se concretizar. Foram muitos encontros, muitas discussões, durante três anos buscando algo que revelasse à nos mesmos.
O ponto de partida foi encontrar artistas de áreas distintas com uma pesquisa própria e uni-los. Um servindo de referência para o outro. São artistas diferentes e se completam. Aí está o que melhor expressa o
“Teatro Dual”: complementaridade. Partes autônomas , distintas mas que unidas se completam, formando assim um todo harmônico.
“1974SMPNF” é o primeiro resultado desta união, que não segue rota ou meta preestabelecida. No “Teatro Dual” a própria vontade está em pesquisa.
Escrito por teatrodual às 20h12
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